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28 de junho de 2014

Além de exagerada, punição a Suárez é um desserviço ao futebol

Suárez sendo abraçado pelos seus companheiros de seleção. Foto publicada no perfil de Diego Lugano no Facebook, com um texto de indignação do capitão uruguaio. Foto: Reuters
por Sylvio Micelli

Ok. Luís Suárez não deveria ter mordido o zagueiro Giorgio Chiellini da Itália. Realmente, não é legal, nada tem a ver com futebol ou qualquer outro esporte.

Ok. Luís Suárez tem um retrospecto complicado. Já praticou o mesmo ato por pelo menos duas vezes e já praticou crimes de racismo dentro e fora das quatro linhas. Enfim. Foi suspenso, cumpriu a pena determinada e segue o jogo.

Mas... nada disso, repito NADA DISSO justifica uma punição esdrúxula de suspender um atleta por oito partidas de sua seleção, incluindo aí uma multa de 250 mil reais para os cofres da Fifa.

Nada disso, repito NADA DISSO justifica ele ser banido do futebol por quatro meses e ser tratado como um deportado dentro do Brasil, ainda que tenha sido decisão da Fifa, ao retirar suas credenciais da Copa do Mundo. Ou seja, não só ele foi suspenso como foi proibido de ficar com os seus colegas de seleção.

A punição abusiva da Fifa tem algumas explicações óbvias:

Reprodução de Maurício de Sousa
1. A Fifa quis bater na mesa e dizer que quem manda é ela... uma estratégia, sei lá, de puro marketing. Para facilitar pegou um atleta que já possuía um currículo desfavorável, para mostrar ao mundo que ela é poderosa. Suárez foi tolo e uma presa fácil. Desmiolado, vem do pequenino mas aguerrido Uruguai, ainda que faça sucesso na Europa e a velha Celeste Olímpica, após a derrota na estreia, conseguiu a proeza de eliminar as duas seleções europeias dentro do chamado "grupo da morte" que foi liderado pela Costa Rica que, diga-se de passagem, também foi humilhada pela mesma Fifa ao chamar sete jogadores para o exame de controle de dopagem, após a vitória sobre a Itália.

2. A Fifa quis desviar o foco. Ainda que estejamos em época de Copa do Mundo, muito se fala sobre o possível escândalo de corrupção que envolveu a escolha do Catar como sede da Copa de 2022. Isso vai ser mexido, vai feder e a Fifa escolheu um para ser "decapitado" em nome da moral e dos bons costumes, como aliás, os aristocratas sempre agem.

3. A agressão de Suárez é "nada" perto do que já aconteceu dentro e fora dos gramados. Nesta Copa mesmo já tivemos lances muito mais violentos, que não foram punidos da forma "exemplar" que o uruguaio. Se formos buscar na história, resultados arrumados, jogadores irregulares em campo e violência explícita, também deveriam ser punidas para limpar a história, mas isso não foi feito e jamais o será. Isso só para ficarmos com a Copa.

E você me diz: mas ele deve ser punido. Sim, concordo. Se o árbitro tivesse visto a tal da mordida ele seria expulso, ficaria fora uma partida e pronto. Vai... quer uma punição mais rigorosa? Que ele fosse eliminado desta Copa. E só. Estaria bom demais.

De tudo isto resta:

1. A Copa perde um de seus principais jogadores. Suárez é um baita atacante e resolve. Ele é desmiolado, mas tem alma que só quem usa meias negras sabe o que é. Foi capaz de fazer um pênalti na copa passada, no jogo entre Uruguai e Gana, só para lidar com a perspectiva do erro do adversário, no limiar da loucura. E venceu.

2. A Fifa será cobrada e muito nas próximas oportunidades. O mundo do futebol, exceto por um ou outro piegas, achou a punição severa demais. Talvez a própria Fifa reveja sua decisão após a Copa, quando os holofotes forem desligados. O jogador Chiellini, agredido, também julgou a punição como "excessiva e alienante".

3. O Brasil foi beneficiado. Ao menos em tese. Se o Brasil eliminar o Chile e o Uruguai eliminar a Colômbia, as quartas de final terá um Brasil e Uruguai, numa pré-decisão de Copa do Mundo no Brasil. Suárez não estará em campo. Mas confesso que não gostaria de pegar um Uruguai ferido, porque se ambas as equipes passarem e isso pode ocorrer tranquilamente, o Uruguai vai jogar como nunca para eliminar o Brasil.

Suárez precisa de tratamento e seu clube e família deveriam obrigá-lo a fazer isso. Tudo está ficando chato. Até os badboys do futebol estão sendo eliminados.


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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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