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17 de maio de 2014

O salário mínimo na Suíça e a Copa no Brasil

por Sylvio Micelli

Nos últimos dias tenho observado atos contra a disputa da Copa do Mundo no Brasil, promovidos pelos mesmos interesses políticos e escusos de sempre. Como no geral não há competência para reivindicações perenes, opta-se pela mídia pasteurizada e pelos holofotes ligados.

Para quem acredita que a disputa eleitoral só começa após a Copa, engana-se. Já começou. Os protestos fazem parte do pão e circo de sempre, bem como a greve geral ocorrida em Pernambuco nos últimos dias, com o claro interesse de desestabilizar o candidato daquele estado.

O brasileiro não tem por hábito reclamar. Somos de bom coração, aceitamos tudo de bom grado e, desta forma, quando se vê manifestações deste naipe, devemos questionar quais os reais interesses pelas mentes que não aparecem na turba. Quem gere todas as confusões está bem assessorado e preserva sua identidade para que os atos sejam populares, sem que haja um mentor.

Ao longo dos últimos anos, cansei de reclamar com os "narcisos às avessas" que Nelson Rodrigues ensinou e que geralmente elegem um vilão que não resolve os problemas de fato do país. São os brasileiros que cospem no próprio espelho e que, sob o eterno e endêmico "complexo de vira-latas", não consegue enxergar que as manifestações são festins partidários e que a Copa trouxe e trará, a médio e longo prazos, dividendos importantes para o País e até um certo resgate de auto-estima perdida.

Mas nada disso importa. O que importa é desestabilizar. Vamos derrubar a Dilma ou seja lá quem for que esteja no poder. Somos, no geral, pseudo-democratas. Não sabemos respeitar a decisão soberana da maioria, seja lá de que forma for. Se o meu partido usar de formas escusas para chegar ao poder, não importa. Crime é só do adversário. Só apoiamos os nossos vencedores. Se o nosso candidato for derrotado, vamos fazer de tudo e mais um pouco para fazer minguar o poder do titular, para que venham outros para fazer as mesmas coisas, num ciclo vicioso que relega nosso país ao eterno desenvolvimento.


Enquanto isso, na Europa...

A pequena Confederação Suíça, encrustada na Europa, que por sinal sediou a Copa do Mundo de 1954, deverá aprovar nos próximos dias, um salário mínimo de 10 mil reais. Você não leu errado. Nenhum cidadão suiço ganhará menos que 15 vezes o salário mínimo do brasileiro, por mês. Ou seja. Um suiço ganhará minimamente, o que um brasileiro ganhará em 1 anos e 2 meses. Lá não há 13º salário, ainda bem...

Isso equivale a dizer que nossos problemas são muito maiores que uma Copa do Mundo e isso também vale para as Olimpíadas vindouras de 2016. O mais importante não é ser contra os eventos, posto que é uma modinha efêmera. Então é super legal falar contra, chamar de imbecil quem coleciona figurinha, sem se informar, por exemplo, que os hotéis estão todos lotados e que isso vai gerar milhões em recursos, fazer a economia girar, fora os empregos diretos e indiretos que a Copa vem rendendo desde 2007.

Pouca gente sabe que o bairro de Itaquera teve valorização imobiliária de quase 200%. Pergunte para quem mora lá, se eles estão achando ruim... Aliás, muita gente contra a Copa, nem imagina aonde fica a "distante" Itaquera.

Problemas com megaeventos todos tiveram. Até ataque terrorista aconteceu. Mas diferente deles, que só publicam os fatos positivos, a mídia tupiniquim sebosa e arrogante opta pelo terror, pela tragédia. pelo quanto pior, melhor. Faz aquilo que o político norte-americano Adlai Stevenson II, sentenciou no século passado: "Um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo - e imprime o joio".

O que se deve é estar atento às eleições. Tem muita gente que ruge nas turbas que agem por instinto e que faz merda na urna. Este sim é o nosso verdadeiro problema.

Até porque, nos próximos anos não teremos Copa e aí quero ver qual será a desculpa da patuleia para a falta de saúde, educação, segurança etc.

Vale lembrar que o Brasil deveria ter sediado a Copa de 1986, que foi para o México. A ditadura militar alegou à época, as mesmas coisas de hoje. Saúde, educação, segurança etc. E veja o quanto melhorou de lá para cá. Só que não...

Num passado não tão distante, acreditávamos que a solução do Brasil seria eleger o presidente da República. Depois, a solução foi tirá-lo do poder, como se fosse um bálsamo para a cura de todos os males.

E nada disso foi resolvido. O chefe dos caras pintadas é hoje senador ao lado do presidente submetido ao impeachment. Os petistas opositores de outrora se locupletaram da mesma bufunfa farta e fácil do poder que já passou pela mão de tucanos et caterva e ninguém resolveu os nossos problemas mais endêmicos.

Então, as pessoas deveriam ter se manifestado há 35 anos, quando o Maluf era governador biônico. Ou se manifestado em 1986 naqueles planos absurdos da era Sarney. Ou em 1964...E tantas outras manifestações deveríamos ter feito.

Eleger a Copa como o mal dos males é de uma inocência pueril...

Acredite. Será bom para o Brasil no cenário internacional, apesar dos pesares.

#vaitercopasim

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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