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13 de abril de 2014

A vitória do Ituano e o dia em que o homem mordeu o cachorro

por Sylvio Micelli

Reprodução
Há uma velha frase no jargão jornalístico que ensina: "o cachorro morder o homem não é notícia. Mas se o homem morder o cão, aí sim". A autoria é meio confusa, pois há várias versões, mas foi imortalizada pelo jornalista cafajeste Charles "Chuck" Tatum, personagem imortalizada pelo inesquecível Kirk Douglas, ainda vivo, num dos melhores filmes sobre o jornalismo que eu já vi. Refiro-me, claro, a "Ace in the Hole", traduzido para o português sob o título de "A Montanha dos Sete Abutres", produção do magnífico Billy Wilder, lá em 1951.

Hoje, no estádio do Pacaembu, o homem mordeu o cachorro. Ou melhor, o Galo de Itu bicou o Peixe.

Tem toda aquela história de que o futebol é uma caixinha de surpresas, de que tudo pode acontecer, de que são 11 homens contra 11 homens, mas a verdade é que a boa maioria dos torcedores, independente do clube, imaginava que o Santos fosse virar sobre a equipe do Ituano, fato que não ocorreu.

Sob o ponto de vista midiático, o Ituano derrubou todas as manchetes fáceis, óbvias e prováveis. Eliminou o Corinthians dentro do próprio grupo, tendo como principal vitória aquela contra o São Paulo, no Morumbi, que gerou reclamações do técnico e time do Corinthians que foram incompetentes em campo e ficaram na dependência dos outros.

Depois o Ituano eliminou o Botafogo em Ribeirão Preto numa decisão por pênaltis. Bateu o Palmeiras num Pacaembu lotado com um tiro de misericórdia no final do jogo e bateu o Santos, também fora de casa, no primeiro jogo e na decisão por pênaltis de uma partida vencida pelo time do Litoral com um gol irregular, porque a nossa arbitragem ruim ainda olha a camisa na hora de apitar os jogos.

Não há como contestar o merecimento do time da querida Itu, cidade imortalizada pelo comediante Simplício, ainda nos anos 60, no clássico "A Praça da Alegria" do inesquecível Manuel de Nóbrega. Realmente eles foram grandes e ganharam do topete e da arrogância dos times tido como grandes, mas que há muito tempo vem jogando mais com a fama, do que propriamente com o futebol.

Também houve reclamação hoje sobre o regulamento do campeonato por parte do técnico derrotado. Mais um choro de perdedor. Todo mundo critica qualquer regulamento. Mas todos assinam e concordam antes da competição iniciar.

Parabéns aos ex-jogadores Juninho Paulista (gerente de futebol) e Doriva (técnico), egressos do São Paulo Futebol Clube e que construíram um time simples, humilde e vencedor. Precisamos de sangue e oxigênio novos em nosso esporte bretão.

Para quem ainda acha que o Campeonato Paulista deve ser extinto, fica aí mais uma prova de que é possível ter um celeiro de bons jogadores nos campeonatos regionais.

Parabéns, Ituano. O homem mordeu o cachorro.


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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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