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6 de janeiro de 2014

Quando o mundo viu dois Pelés em campo


por Sylvio Micelli

Estátua de Eusébio no Estádio da Luz
Divulgação
Mal começou o ano de 2014 e já temos de lamentar a morte de um gênio. O mundo perdeu ontem (5), Eusébio da Silva Ferreira ou "apenas" Eusébio.

Nascido em Lourenço Marques, atual Maputo, capital moçambicana, Eusébio tornou-se o principal jogador de futebol da história portuguesa, atuando por 12 anos na seleção e fazendo carreira, principalmente, em longos 15 anos pelo Benfica. Seus mais de 600 gols em sua maravilhosa carreira garantiu-lhe os apelidos de Pantera Negra, King e ficou conhecido, também, como o Pelé Europeu.

Contemporâneo do Pelé original há duas páginas importantes na história da bola que envolveu ambos.

Na terceira edição da Copa Intercontinental, ocorrida em 1962, Pelé e Eusébio se enfrentaram. O Benfica era campeão europeu e o Santos, sulamericano. Os brasileiros saíram vitoriosos. O primeiro jogo, disputado no Maracanã, no Rio de Janeiro, em 19 de setembro daquele ano, foi vencido pelo Santos por 3 a 2. Pelé abriu o marcador. Santana empatou para os portugueses. Coutinho e Pelé, novamente, fizeram mais dois gols para o alvinegro praiano e Santana diminuiu o resultado negativo no final da partida.

Três semanas depois, no Estádio da Luz, em Lisboa, um Benfica irreconhecível e um Santos tinindo não deixou margem para qualquer dúvida. O time brasileiro chegou a abrir 5 a 0 com três gols de Pelé e com um de Coutinho e outro de Pepe. Eusébio só marcaria no final da partida. Santana faria o segundo gol do time português, mas o resultado de 5 a 2, daria o primeiro título intercontinental ao Santos.


A Copa de 1966 na Inglaterra

Selo em homenagem a Eusébio,
lançado em 1968 - Divulgação
A seleção brasileira de 1966 era ruim. O time bicampeão do mundo, refém da politicagem, num período de entressafra na troca de jogadores experientes pelos mais novos, não se preparou como deveria. Além disso, o técnico Feola convocou 45 jogadores sabendo-se que metade seria cortada, o que gerou uma relação fratricida entre os atletas. Tantos erros não poderiam dar certo e realmente não deu. O Brasil sequer passou da primeira fase.

Estreamos contra a Bulgária no estádio Goodison Park, em Liverpool, no dia 12 de julho. Um jogo violento, com Pelé sendo caçado em campo, mas a vitória veio, quase na marra, por 2 a 0, gols de Pelé e de um veterano Garrincha, que marcaria seu último gol em Copas do Mundo.

Três dias depois, no mesmo estádio, o Brasil sucumbiu diante do forte futebol da Hungria. Bene marcou para os europeus no começo da partida. O jovem Tostão empatou, ainda no primeiro tempo. Mas no segundo tempo, Farkas e Mészöly fizeram o placar de 3 a 1.

Para permanecer vivo na Terra da Rainha, o Brasil teria que vencer Portugal por um bom placar e torcer por um tropeço húngaro no duelo contra os búlgaros. Nada disso aconteceu.

Eusébio salta para vencer Manga e marcar
seu primeiro gol contra o Brasil em 1966
Em 19 de julho, Portugal abriu dois gols de vantagem no primeiro tempo, tentos marcados por Simões e Eusébio. Rildo diminuiu na segunda etapa, mas Eusébio voltaria a marcar no final do jogo. Pelé, novamente caçado em campo pela zaga portuguesa, pouco jogou. E o Pelé Europeu havia superado o original gravando, em definitivo, seu nome na história. E o Pelé Europeu havia superado o original gravando, em definitivo, seu nome na história.

Em 1966, Eusébio ainda faria mais. Numa das maiores viradas da história do futebol, jogando as quartas-de-final contra a Coreia do Norte, Portugal foi surpreendido por um 3 a 0, nos primeiros 25 minutos de jogos. Depois Eusébio e os demais portugueses acordaram. Ele faria 4 gols e José Augusto daria números finais a um 5 a 3 genial.

Eusébio só não superaria os dois gols de Bobby Charlton na semifinal, quando Portugal encontrou os donos da casa. Ainda assim, a Inglaterra venceu pelo apertadíssimo placar de 2 a 1, com gol do Pelé Europeu. Na decisão de terceiro lugar, Eusébio marcou e Portugal venceu a poderosa União Soviética por 2 a 1, conquistando o terceiro posto daquela Copa, marca que o time lusitano

Eusébio foi o primeiro português a conquistar o Ballon d'Or, prêmio de futebol, criado pela revista francesa, France Football, que foi encampado pela Fifa, desde 2010. Só outros dois jogadores portugueses conseguiram o feito. Luís Figo, em 2000, jogando pelo Real Madrid e Cristiano Ronaldo, em 2008, atuando pelo Manchester United. Ronaldo, aliás, é favoritíssimo à conquista do FIFA Ballon d'Or 2013, cujo resultado será divulgado na próxima semana.

Ronaldo poderá ganhar este prêmio que será merecido e, indiretamente, uma homenagem ao homem que abriu as portas portuguesas do futebol para o mundo.

Ser mito igual a Eusébio, Ronaldo terá de suar muito para chegar perto. Mas, reconheço. Ele está num bom caminho.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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