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19 de dezembro de 2013

A arrogância do futebol brasileiro é punida mais uma vez


por Sylvio Micelli

Como diria Fernando Vanucci, "alô você"... que comemora título intercontinental chamando de mundial, mostrando desprezo e até preconceito com o futebol disputado em outras partes do mundo... A África está de volta!

Alô você que acredita que a semifinal que envolve times sulamericanos é meramente um "jogo-treino" para pegar o time europeu na final...

Alô você que acredita que o fator Mazembe é um fato isolado é só ocorre de mil em mil anos...

Alô mídia nacionalista, cega e piegas, que disse que o Atlético Mineiro estava na final porque o Raja Casablanca já tinha feito "muito" ao ter eliminado o Monterrey.

Pois é. Como ninguém ganha de véspera, o Raja Casablanca conquistou hoje o maior resultado da história do futebol marroquino. Ao bater o Atlético-MG por 3 a 1 em Marrakech, o time anfitrião chegou à sua terceira vitória e, merecidamente, chega à final do Mundial de Clubes da Fifa para enfrentar o Bayern de Munique no próximo sábado.

Mouhcine Moutouali só desloca Victor para colocar o time marroquino na frente - Divulgação
O Raja Casablanca não apenas venceu como dominou o time brasileiro, especialmente no segundo tempo. Com o fator torcida a seu favor, o Raja suportou uma pressão inicial e o jogo mostrou-se morno com o decorrer do primeiro tempo. O time mineiro pouco criou, escancarando suas deficiências. No retorno da etapa final, o time da casa viu que podia vencer e lançou-se ao ataque. Logo aos 5 minutos, o atacante Mouhssine Iajour abriu o placar para os marroquinos.

O Atlético Mineiro sentiu o gol e poderia ter tomado logo o segundo em seguida que foi bem anulado por impedimento. Aos poucos, a equipe brasileira absorveu o gol e equilibrou a partida. Entretanto, a posse de bola do Atlético não resultava em nada prático. O empate veio por meio de uma falta batida por Ronaldinho Gaúcho com maestria, aos 19 minutos. Logo depois, Ronaldinho daria lençol e lançamentos, mas nada que trouxesse efetivo perigo à meta de Khalid Askri.

O jogo foi chegando naquela fase em que ninguém ataca por medo de tomar um gol fatídico. Mas num rápido ataque, Iajour foi lançado e acabou sofrendo pênalti de Réver. Houve reclamações, mas a câmera frontal mostra claramente o pênalti infantil cometido pelo brasileiro. O capitão do Raja, Mouhcine Moutouali bateu com categoria e fez 2 a 1, aos 41 minutos. Moutouali, por sinal, é o dono do time. Melhor jogador técnico chamou o jogo o tempo inteiro e ofuscou o brilho de Ronaldinho. Moutouali ainda esbanjou categoria em lançamentos compridos e certeiros, além de ser o mala que infernizou a vida atleticana.

O time mineiro se jogou no ataque, enquanto os marroquinos esperavam o contra-ataque final. E ele veio, já aos 48 minutos. Mabidé ganhou a bola no meio de campo e subiu sozinho ao ataque com Moutouali, que roubou a bola do companheiro e tentou encobrir Victor. A bola bateu no travessão e voltou para Mabidé fuzilar e fazer 3 a 1. Mabidé, por sinal, ganhou uma antipatia da mídia ao ter afirmado durante a semana, que Ronaldinho estava jogando com o nome.

Fim de jogo. Ronaldinho foi abraçado pelos adversários. E o Marrocos fez história. O que vier agora é lucro. Mas se eu eu fosse o Pepe Guardiola ficava com a pulga atrás da orelha com a correria e os lançamentos marroquinos. O Bayern é super favorito e deve ser campeão mundial. Mas... O Monterrey e o Atlético Mineiro eram favoritos...


Verdades incômodas

1. O time mineiro, com o devido respeito, é ruim. Na verdade foi um catadão que venceu a Libertadores na bacia das almas, contando com Ronaldinho que não joga com o nome, apenas, mas que está bem longe de seus melhores dias e teve em Victor, um goleiro pra lá de decisivo, quando o clube precisou.

2. Cuca é um treinador que não demonstra a menor firmeza e cometeu um erro grave ao retirar os laterais no jogo de hoje. A jogada que originou o pênalti no segundo gol marroquino foi feito na área de Marcos Rocha, pouco tempo depois dele ter sido sacado para a entrada de um patético Luan.

3. Ter arrogância é, sobretudo, demonstrar desprezo pelo adversário. O Atlético Mineiro cometeu os mesmos erros do Internacional em 2010. Preferiu "rebolar" com a bola, a efetivamente mostrar sua superioridade, ainda que limitada.

4. Ronaldinho não joga apenas com o nome, como teria sido provocado durante a semana. Bate faltas com a habitual perfeição e chamou o jogo. Mas foi penalizado pelas "más" companhias de Jô, Tardelli e Fernandinho, que pouco produziram.

5. Isso significa dizer que o Atlético fez, na Libertadores, mais do que poderia ter feito.


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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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