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30 de outubro de 2013

O caso dos Beagles e o churrasco nosso de cada dia


por Sylvio Micelli

Qualquer ser humano, por mais cruel que seja, deve ficar com os olhos marejados ao ver cachorros fofinhos, bonitinhos, gostosinhos e outros 'inhos', sendo usados em pesquisas médicas, terapêuticas etc.

Particularmente, não quero entrar no mérito da discussão. As pessoas tem transformado tudo num Fla X Flu tresloucado, muitas vezes com sangue nos olhos e a faca entre os dentes, que dificulta emitir qualquer opinião.

Enfim, também sou contra o uso de animais em pesquisas científicas, mas sei que elas são necessárias para o desenvolvimento da medicina. Se queremos prolongar a vida e combater doenças como o câncer, o Alzheimer e tantas outras, não há outro jeito. E nem me venha com aquela pesquisa patética na Folha de São Paulo de ontem. Quem é contra o uso de animais deve ser contra o uso de QUALQUER animal. Do ponto de vista cristão todos representam uma vida e os cães não merecem tratamento diferenciado porque são fofinhos e os ratos ou macacos não. Tem que ser 8 ou 80. Ou não queremos nenhum animal envolvido e vamos ver como a gente vai descobrir a cura para tantos males ou o uso deve ser permitido às claras, sem tergiversações.

Podemos aprofundar a discussão. Se protegemos os beagles, vamos também proteger a vaca, o frango, o porco e tantos outros animais que nos alimentam ao longo dos milênios? Desculpe... não dá para defender uma causa dessas e comemorar com uma churrascada. Soa, sei lá, irônico.

O caso dos Beagles prova mais uma vez a ineficiência de nossas autoridades (in) competentes que não fizeram um claro pronunciamento sobre a questão. Afinal, quais animais e para quais experimentos eles precisam ser usados? Isso, pelo que li, não foi respondido categoricamente. A empresa foi invadida pelos manifestantes por que? Irregularidades, maus tratos? Faltou à empresa uma política também transparente sobre a questão comunicando o que, efetivamente, é feito, porque é feito, especificações técnicas, uso terapêutico, enfim, todas as informações de forma palatável para todos os públicos.

Pelo lado dos ativistas também não se informou que alternativas podem ser oferecidas para a preservação dos animais. Algumas pessoas apresentam que há outras formas de pesquisa. Mas estas servem para substituir as outras? Há como preservar a vida animal?

Por enquanto preferiu-se a histeria dos defensores dos animais e suas razões que também subscrevo em boa parte e a empresa envolvida - o Instituto Royal - afirmando que foi um ato terrorista e que ela está dentro das normas técnicas e médicas.

Alguns parlamentares também se manifestaram, mas entraram no oba-oba de sempre defendendo este ou aquele lado, sem definir quem está com a razão.

O caso, enfim, ganhou capa de revista, pesquisa em jornal e discussões na TV e joga luz a uma questão que pouco acompanhamos e que, certamente, quando os holofotes forem apagados, vamos continuar não acompanhando.


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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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