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10 de outubro de 2013

A repetição de velhos erros na mobilidade urbana de São Paulo

Reprodução
por Sylvio Micelli

Num dos dias mais travados, graças ao trânsito piorado devido a um acidente na Marginal Tietê, isso sem falar quando chove e os semáforos de "papelão" que vivem enguiçando, devemos chegar à conclusão de que a cidade de São Paulo literalmente parou. Aliás, isso já era notório. A inclusão recente de faixas preferenciais para ônibus repete velhas fórmulas populistas que não resolve nada.

O prefeito Fernando Haddad tem a seu favor, o fato de estar no poder há pouco mais de nove meses. Obviamente que não se pode cobrar dele um descaso de muitos governantes ao longo dos anos. Mas... ao repetir coisas que não deram certo, além da sensação de dèja-vu, temos a impressão de que nada mudará efetivamente e caberá ao paulistano, de nascença ou adoção, cada vez mais procurar alternativas de trabalhar o mais próximo possível de sua casa ou, em casos de empresas de mente moderna, adotar o esquema de home office.


O populismo da faixa exclusiva de ônibus

De tempos em tempos, temos mais do mesmo. A prefeitura resolveu pintar a faixa direita ou esquerda das grandes vias da cidade para que os ônibus passem numa velocidade superior à média de 20 km/h. A medida tem cara de conteúdo, como diria a antiga propaganda de um jornal, mas não resolve o problema.

O cidadão de São Paulo não quer aqueles ônibus enormes, com dois ou mais eixos, sendo carregados como sardinha em lata, em segurança flagrantemente duvidosa. Ele quer ônibus menores, ágeis, rápidos que façam interligação com o metrô e o trem, com uma tarifa reduzida. Aonde foram parar os antigos Circulares dos tempos da CMTC [Companhia Municipal de Transportes Coletivos]?

Uma outra coisa que a faixa exclusiva evidencia é a falta de ônibus suficientes na cidade. Semana passada, num caminho que fiz entre a Marginal Tietê e a Avenida 23 de Maio pela Avenida Tiradentes, cronometrei quase cinco minutos sem que nenhum ônibus tenha passado na faixa direita ao meu lado e eram oito horas da manhã de uma quarta-feira, um dos dias mais movimentados da semana.


Na contramão do governo federal

Um outro paradoxo do governo Haddad é não comungar dos "mesmos princípios e ideais" de seu governo em âmbito federal. Durante muitos meses, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Economia, Guido Mantega, mantiveram a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para que novos carros fossem adquiridos. Então, ficamos assim: o PT federal quer mais carros na rua e o PT municipal quer espremê-los ainda mais.

Quem, afinal, está certo? E quem, afinal, paga a conta? Aquele que comprou o carro, ajudou a girar as pás da economia é um narcisista maldito porque quer andar com seu carro?


Qual a solução real?

A única alternativa para a mobilidade urbana em São Paulo é a ampliação e o total investimento em metrô e trem, que transportam grande quantidade de pessoas de uma só vez. Aqui, o município não tem muitas responsabilidades, mas é evidente o atraso da capital paulistana, se comparamos o transporte via metrô e trem com as principais cidades do mundo.

Metrô e Trem já! Para ontem! Inadiável. E isso todo mundo já sabe...

Mas como diria também uma outra propaganda... Se a gente que é pombo não fala, ninguém fala...

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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