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7 de setembro de 2005

Ainda a tal da independência

"O Grito do Ipiranga" por Pedro Américo - Reprodução

por Sylvio Micelli

Não há dia mais propício para escrever sobre independência do que no 7 de setembro. Não que eu ache que o ato de Pedro I seja relevante. O interesse dele era a Marquesa. E reproduzimos a mesma história, dois séculos depois, como se fosse uma grande imagem como é o imortal quadro "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo.

Não. Não é. A pseudo-independência deflagrada por Pedro I foi um ato rebelde do filho da Coroa. Ele não foi nenhum Bolívar. Ninfomaníaco, como sabemos, o interesse dele era outro e, Portugal já não gozava do mesmo prestígio na Europa. Resolveu Pedro, então, ficar por estas plagas de clima tropical.

A história do Brasil tem uma série de erros, mais ou menos grosseiros, que ainda não nos concedeu uma identidade. Quem somos, afinal? Os índios foram dizimados. Os degredados foram trazidos para cá. Os escravos foram arrancados de suas origens. Vieram os imigrantes. Depois os migrantes neste caleidoscópio multi-facetado.

Falta-nos um libertador. Eis aí o nosso grande problema. Nossos mártires, cada qual à sua época, não nos trouxe uma "cara". Sei. Tem muita gente que se locupleta, num nacionalismo estúpido, que o Brasil é o país de todas as caras. Ledo engano, companheiros!

Até o "Duas Caras", um dos inimigos de Batman, tinha lá suas crises de consciência. O que dizer, então, de um povo com várias faces. Não prego aqui, de forma nenhuma, a raça única defendida por Hitler, mas o Brasil ainda tem muita coisa a galgar em busca de sua própria identidade.

Voltemos à Brasília. Agora descobri porque a comida no restaurante da Câmara dos Deputados era ruim. Pagava-se o tal do "mensalinho" e pronto. E pau no Severino Cavalcanti. Ao menos dá um refresco para Lula terminar seu mandato. Porque Severino entrou de cabeça no furacão Katrina que assola o Congresso há quase meio ano. E é uma cabeça fácil de ser decapitada para o regozijo das cleópatras do poder.

Ontem aconteceu em São Paulo um ato da OAB, centrais sindicais e partidos políticos, contra a corrupção. Estive lá, até porque o partido ao qual sou filiado, passa longe dos escândalos e tornou-se um reduto moral diante dos acontecimentos. Entretanto, ainda não consigo compreender, ainda não desce pela garganta, um ato contra o atual governo de origem trabalhadora. Ainda mais com a participação de parlamentares de partidos focados na tal da social democracia. Na Praça da Sé lembrei da minha adolescência, 21 anos atrás, no ato pelas Diretas, Já! Não consigo absorver o paradoxo.

Irrita-me, profundamente, uma campanha crescente pela Internet em prol do voto nulo. Da abstenção generalizada. Inocência ou burrice, tal ato traz enormes prejuízos para o país. O custo das eleições é caro. Mas eles acham que podem cancelar a eleição e realizar outra, com outros candidatos. Melhores ou piores? Abster-se ou votar nulo, apesar do reconhecido caráter opinativo, é se omitir da decisão. Digo isso com conhecimento de causa. Já anulei meu voto e arrependi-me amargamente. Sou um ardoroso defensor da política e julgo-a com um bem necessário. Temos errado, dia após dia, nas pessoas escolhidas. Mas isso não significa que devamos abrir mão do direito de escolhê-las. É um aprendizado, repito, de nosso embrionária democracia.

Finalizo aqui com uma alegria e uma reconhecida preocupação. Sou fanático por futebol. E simplesmente torço, e que me desculpem meus muitos amigos contrários, para o time mais popular do país. Meu amado e idolatrado Corinthians que, semana passada, completou 95 anos de bons serviços em nome da alegria e da emoção.

Enfim, estamos na Copa do Mundo. Mais uma. Todas. Apenas o Brasil, que engoliu o Chile em parcos 18 minutos. Mas tive instantes de razão que torci contra. Por que iremos para a Copa? Para fomentar, mais uma vez, a questão do pão que nos falta para o circo, que temos em excesso? Por que temos que paralisar o país durante um mês? Ainda mais num ano eleitoral? Justamente nós, que precisamos aprender tanto na política e na sociedade para sermos imbatível como no futebol. Mas, enfim, temo que a Copa do Mundo seja mais uma vez usada eleitoralmente. Como em 50. E 70. E tantas outras. E será inevitável como sempre.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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