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2 de agosto de 2013

Bandeirantes: a rádio que tem omissão e que cospe em sua própria história

por Sylvio Micelli

Mesmo em viagem a trabalho fiquei sabendo que a Rádio Bandeirantes mandou três grandes profissionais embora para cortar custos.

É até compreensível que uma empresa, que visa lucro, tenha que eventualmente se adequar às questões financeiras porque, obviamente, as contas devem fechar. Devo ressaltar, porém, que sempre acho que o patrão opta por mandar embora a diminuir os lucros e adequar as contas cortando na própria carne.

O problema aí não está no corte, mas aonde o corte ocorreu.

A Rádio Bandeirantes simplesmente mandou embora Mauro Beting, que dispensa maiores comentários. Filho do inesquecível Joelmir Beting foi profissional que se fez independentemente do peso que carrega no sobrenome e tornou-se o principal comentarista esportivo da emissora, numa parceria de anos ao lado de José Silvério.

Não só isso. As "pataquadas" de Mauro Beting e Milton Neves davam um colorido especial às transmissões. Avançavam as madrugadas e tornavam as noites insones agradáveis.

A Bandeirantes não respeitou a memória de Joelmir Beting, que tantos anos contribuiu para a emissora. E não respeitou os prêmios que Mauro Beting ganhou, sempre mantendo a emissora na vitrine.

Mas foi pior.

A Rádio Bandeirantes mandou embora Walker Blaz, profissional com quase quatro décadas na emissora, quase igual tempo meu de ouvinte. Blaz é considerado um dos maiores locutores do mundo e foi durante anos a voz símbolo da emissora. Apresentou os jornais da emissora e, principalmente, fez belíssimas e inesquecíveis vinhetas com sua voz incomparável e maravilhosa.

Mas foi pior.

A Rádio Bandeirantes mandou embora a editora Adriana Cury que, por quase duas décadas, exerceu diversas funções na emissora. Ela era filha de Muíbo César Cury que, simplesmente, trabalhou por 57 anos na rádio. Mais um desrespeito à memória.

Faltou planejamento, porque ouvintes há e a audiência garante patrocínio. Se a Bradesco Esportes não deu certo, fechem. Mas mantenham a qualidade que torna a Rádio Bandeirantes diferente com os profissionais que fazem parte e fazem a história da emissora.

Obviamente que os três estarão empregados muito em breve. E quem perderá será a própria Rádio Bandeirantes e nós, ouvintes.

Lamentável.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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