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12 de maio de 2013

Um monstro chamado "governabilidade"


por Sylvio Micelli


A nomeação do vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos, para ser secretário da Micro e Pequena Empresa, que tem status de ministério no governo federal, mostrou o mais fino vértice de um monstro chamado governabilidade.

Para quem não lembra das aulas de Geometria, vértice é encontro de duas semi-retas ou o ponto comum entre dois lados de um ângulo. Ou seja Afif, a grosso modo, é o ponto comum de governos que, imaginava-se ser antagônicos.

Afif, vice de Geraldo Alckmin do PSDB será ministro de Dilma Rousseff do PT. E pior: acumulará os dois cargos. Afif lerá pela cartilha petista em Brasília e, quando for necessário, voltará à velha cartilha tucana e da associação comercial, que o acompanha desde o século passado.

Governabilidade é o nome que se dá ao ato de "governar" compondo maioria nas casas legislativas e ministérios para que se possa ter um mínimo de tranquilidade e fazer valer seu programa de governo, o que é raro, ou seu projeto de poder, o que é mais comum.

Sendo assim, você pode nomear um vice-governador tucano para um ministério "criado" para o PSD (Partido Social Democrático) de Gilberto Kassab que era oposição do PT na prefeitura paulistana.

Você também pode nomear, o até então desconhecido pastor Marco Feliciano do minúsculo PSC (Partido Social Cristão) para presidir uma Comissão de Direitos Humanos e que cuidará das chamadas minorias, mesmo se ele tiver aversão a negros, homossexuais etc, ou seja, o público-alvo da comissão que ele presidirá.

Você também pode buscar apoio de um dos seus mais históricos inimigos, como Paulo Maluf, para apoiar o atual prefeito eleito Fernando Haddad.

A governabilidade é um ato medroso de perda de poder. Nossos políticos de hoje aprenderam muito bem com o impeachment de Fernando Collor de Mello, que quis governar o país dando uma banana para o Congresso Nacional e deu no que deu. E foi merecido que Collor tenha caído. Mas depois dele tivemos outras histórias comprometedoras, mas todos estão mancomunados, com as exceções de praxe até para justificar a regra.

Não estranharei, num futuro próximo, se houver uma dobradinha do PT e do PSDB para cargos importantes do país, porque tá dominado, tá tudo dominado.

Enquanto isso, a oposição inexiste. Exceto por alguns raros Dom Quixotes que empunham suas espadas contra os moinhos de vento.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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