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12 de maio de 2013

A ausência do Estado Brasileiro no caso dos corinthianos presos na Bolívia

por Sylvio Micelli

Neste domingo, Dia das Mães, quero jogar luz num assunto que já sumiu dos noticiários. Há oitenta dias, doze torcedores do Corinthians estão presos em Oruro na Bolívia, por conta da morte de um torcedor que foi atingido por um sinalizador. A fatalidade aconteceu no já longínquo 20 de fevereiro, quando o Corinthians fez sua estreia diante do San José na Copa Libertadores.

Obviamente que a dor da mãe de Kevin Espada é incomparável e eterna, mas há outras mães, dos torcedores presos, muitos injustamente, que também sofrerão neste domingo.

Vale dizer, inicialmente, que devemos abstrair a questão do fanatismo pelo futebol e lembrar que, antes de serem corinthianos, os doze torcedores são cidadãos brasileiros que estão em condições inadequadas e, certamente, sofrendo injustiças longe de sua "Pátria Amada, Mãe Gentil", como aprendemos em nosso hino. Para você, torcedor adversário que está lendo minhas reflexões e acha engraçadinho fazer piadas com o fato, lembre-se de que poderia ter ocorrido com você, seu filho, alguém de sua amizade. E lembre-se ainda, que no futebol não somos inimigos e sim, adversários.

Momento etimológico: adversário vem, claro, do latim adversarius, que significa, rival, oponente e que se origina de adversus, de ad, que equivale a para e vertere que é voltar-se, virar-se, opor-se.

Voltando ao caso é preciso salientar a total ausência do Estado Brasileiro. Presos há quase três meses, pouco se fala sobre o tema e pouquíssimo se fez sobre a prisão, exceto por uma ou outra manobra política que levou do nada a lugar nenhum. O Itamaraty, por exemplo, soltou um comunicado há vinte dias dizendo que está prestando total apoio aos presos, o que não faz mais que a obrigação, mas que não pode interferir na justiça boliviana. O documento também relata que a presidente Dilma Rousseff teria falado com Evo Morales sobre o caso e defende o ministro Antonio Patriota que foi considerado inerte perante o caso.

Fico pensando se os torcedores presos fossem argentinos, qual teria sido o papel da diplomacia argentina sobre o caso. Acho que, certamente, teriam agido com rapidez para resgatar seus cidadãos. Não quero nem imaginar se fossem norte-americanos, o que já teria acontecido à Bolívia.

O Brasil não deve interferir na justiça boliviana, mas que justiça é essa que mantém doze pessoas presas, sem apontar ao menos os indícios de um possível culpado? Que justiça é essa que está abusando do poder de prender ao menos onze pessoas de forma injusta, até porque apenas uma pessoa operou o tal do sinalizador? Que justiça é essa que considera o depoimento de um menor, que assumiu a autoria do fato, como mentiroso sem nem mesmo averiguar a questão até para puní-lo em caso de falso testemunho?

O Brasil precisa pressionar, sim. Mostrar que é o maior país da América Latina e que não deve ser tratado como uma republiqueta das e de bananas como vem sendo nesta questão. Se tiver que usar de outros meios de pressão, que use. Se no caso do mal tratamento a brasileiros na Espanha, o país interviu não tendo reciprocidade com espanhóis aqui, façamos as mesmas coisas com os bolivianos. Neguem vistos de entrada, deportem os que aqui estão ilegais e eu sei que são muitos, mostre ao menos que o assunto efetivamente interessa e que haja a percepção de que algo está sendo feito, efetivamente. Precisa falar todo dia. Pressionar todo dia. Tomar as medidas cabíveis todo dia.

O maior problema da questão, salvo melhor juízo, é a simpatia que o governo brasileiro tem com Evo Morales e as questões ideológicas estão se sobrepondo ao estado brasileiro. Devido a isso, o estado nacional vira conivente com uma aberração jurídica e cúmplice de uma ditadura cocaleira e policialesca.

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