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20 de abril de 2013

A "Dama de Ferro" e o prejuízo de seus "ensinamentos"


por Sylvio Micelli

Minha agenda lotada não permitiu que escrevesse antes sobre a morte de Margaret Hilda Thatcher, ocorrida no início da semana passada. É um tema sob o qual não posso esquivar-me, porque Thatcher foi um símbolo dos anos 80. Um símbolo ruim, nefasto, que só é reverenciado pela capa da revista Veja desta semana e pelos neoliberais de plantão.

A importância da chamada "Dama de Ferro" dentro do contexto mundial deve ser dividida em dois polos para que não se cometa injustiças.

Pelo fato de ser mulher, é inegável que Margaret Thatcher teve papel de fundamental importância na história da humanidade. Vinda, ao menos em tese, das camadas mais humildes da população, ela conseguiu "apenas" ser primeira-ministra do Reino Unido e, mais que isso, tornou-se uma referência política mundial, duas décadas atrás. Portanto, em termos femininos e/ou feministas, ela faz parte da história da mulher que conquista, muitas vezes a fórceps, seu espaço dentro de uma sociedade machista e reacionária.

Por outro lado, porém, seu trabalho e sua doutrina feriram os princípios mais comezinhos e essenciais ao Estado. Para combater a inflação britânica, no final dos anos 70 e começo dos anos 80, ela adotou medidas privatistas, dilapidou o patrimônio do estado e implantou as bases do chamado neoliberalismo e o estado mínimo, ao lado do presidente norte-americano e seu principal parceiro político, Ronald Reagan.

Estado mínimo, em outras palavras, é reduzir o estado ao mínimo de serviços públicos e essenciais, especialmente aos mais carentes; precarizar para privatizar e servir de base para o desenvolvimento do capital meramente rentista, que nada investe no social e vê no dinheiro, uma finalidade em si mesmo.

É graças a ela, que muitos consideram a década de 80 como a década perdida, devido ao fraco crescimento econômico, pois para Margaret Thatcher o fundamental era sanitizar o Capitalismo, em sua mais visceral essência.

Thatcher sufocou os sindicatos de trabalhadores, financiou a morte na Guerra das Malvinas e foi uma das principais artífices da Guerra Fria. Considerava o ditador chileno Augusto Pinochet um democrata e o libertário sul-africano Nelson Mandela um terrorista.

Dizem que ela morreu demente. Sua demência, porém, a acompanhou por décadas.

Não fará falta. Serve apenas como um exemplo a não ser seguido, o que fica muito difícil, porque seus discípulos estão por aí, aqui ou alhures.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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