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21 de fevereiro de 2013

Quando a paixão futebolística fala mais que a realidade dos fatos

por Sylvio Micelli

Aconteceu mais uma morte num campo de futebol. Desta vez, o cenário da tragédia foi o estádio Jesús Bermúdez, em Oruro na Bolívia, no jogo entre San José e Corinthians. Possivelmente, devido ao lançamento de um sinalizador por parte da torcida corinthiana, o jovem Kevin Beltrán Estrada, de apenas catorze anos morreu.

O fato, por si só, é lamentável e não tenho dúvidas de que o Corinthians, por responsabilidade com sua torcida, e o próprio San José, mandante do jogo e responsável pela segurança de todos os torcedores, devem ser punidos.

O problema maior é quando a paixão "clubística" fala mais que a realidade dos fatos. Torcedores rivais do Corinthians, aproveitando-se de mais um cadáver que se coleciona em partidas da futebol, resolveram expor visceralmente todas as raivas incontidas. Desde as primeiras horas da manhã, quer seja via redes sociais ou mesmo em programas esportivos, a paixão pelo próprio clube tem falado mais alto, que o fato em si.

O velho esteriótipo de que o Corinthians só é formado por maloqueiros, facínoras, assassinos etc etc etc voltou à tona, revelando uma série de preconceitos, geralmente de cunho claramente racista, que nem dá para rebater aqui, que seria inútil.

Todos os clubes devem ser exemplarmente punidos pelo comportamento errado de suas torcidas e aí pouco importa o que se faz, porque sempre há dolo. Clubes cuja torcida jogam moedas em ex-jogadores devem ser punidos. Quem joga moeda, joga radinho de pilha, joga pedras, paus... Clubes cujos torcedores espancam policiais devem ser punidos. Clubes cujos torcedores matam uns aos outros, marcando encontros pela Internet, devem ser punidos. Clubes cujos funcionários são acusados de agressão a jogadores rivais devem ser punidos.

Há muito tempo se fala sobre torcidas organizadas, mas pouco se faz. Teve até político que fez carreira defendendo a bandeira do banimento das organizadas e nada foi feito.

Até defendo que o Corinthians seja exemplarmente punido na Libertadores com a exclusão do torneio, em que pese achar a possibilidade remota, mas que seja o início de uma drástica mudança no futebol brasileiro.

Defender punição apenas ao Corinthians e "se esquecer" do que aconteceu com o próprio clube é a velha ideologia dos dois pesos e duas medidas e isso, sem dúvida, não dá para admitir.

2 comentários:

  1. Sylvio, o fato é lamentável mesmo, como você menciona. Desta vez foi com a torcida do Corinthians, mas, infelizmente, nenhum clube tem esse triste monopólio, dos torcedores imbecis.

    Que deve haver punição para alguém, com certeza; possivelmente para o Corinthians e talvez até para o próprio San José, mas não acho que seja o caso de excluir o clube da competição, por vários motivos.

    Escrevi a respeito no meu blog: http://www.futebolarte.blog.br/opiniao/barbarie-em-oruro-e-a-torcida-do-corinthians/

    abraço,
    Roca

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  2. Mais uma vez, faço minhas as suas palavras.

    Muito bem observado. Embora a eliminação seja medida drástica, dificilmente tomada em virtude dos óbvios interesses empresariais que seriam contrariados, teria
    a vantagem de criar o precedente e fazer com que os outros times passassem a lidar de forma séria com problemas de segurança.

    Creio que haja punição mais branda. De qualquer maneira, seria mais efetivo identificar quem realiza esse tipo de ação, proibir definitivamente a entrada com fogos de artifício e utilizar até mesmo as câmeras de TV para identificar quem insistisse nessas práticas.

    Rodrigo R. Dias

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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