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6 de dezembro de 2012

Brasileirão 2012: passa a régua e fecha a conta

Nelson Rodrigues, tricolor histórico.
Feliz no céu! - Arquivo
por Sylvio Micelli

Depois de longas 38 rodadas e com a última delas tendo como única emoção a luta pelo rebaixamento, mais um Campeonato Brasileiro chega ao fim. Não gosto do modelo de pontos corridos. Pode ser justo, mas se alguém vence antes, a competição vira final de festa quando você dança com a própria irmã, por total falta de opção. Sei que é adotado na Europa, mas lá, o tesão não é o mais relevante...

Deixo, por mais um ano, a sugestão de um campeonato por pontos corridos sim, mas com duas partidas finais entre o campeão do primeiro e do segundo turno. Teríamos, por exemplo, nesta semana, dois jogos entre Atlético Mineiro X Fluminense, com a final no Rio e o Tricolor jogando por dois empates.

Seja como for, o título foi justo. O Fluminense foi coeso nos dois turnos e venceu a competição chegando ao seu tricampeonato (1984 - 2010 - 2012). Claro que eu não considero o "Brasileiro de 1970" e toda aquela bobagem cometida pela CBF, muito mais por pressão política e institucional, que igualou coisas desiguais. Fred se consolida como matador e olha que ter "torcedor entendido" que odeia seu centroavante.

O Atlético Mineiro foi um grande cavalo paraguaio e com todo o respeito aos mineiros, o futebol do estado é, realmente, a quarta força do país, após paulistas, fluminenses e gaúchos. Deixa como marca o renascimento de Ronaldinho Gaúcho que pode resultar em sua participação na Copa de 2014 e a grande revelação do campeonato, o atacante Bernard, dono da mais bela jogada do torneio na partida contra o Grêmio no primeiro turno, que resultou num gol do Jô, outro renascido das cinzas.

Jogada de Bernard e gol do Jô. A mais bela jogada do Brasileirão 2012


O Grêmio chegou em terceiro devido aos méritos de dois velhos conhecidos: o interminável e genial Zé Roberto e o melhor técnico do Brasil e que mereceria a seleção, Vanderlei Luxemburgo. O País ainda está em dívida com Luxa. Não sei se um dia pagará. O time gaúcho poderia ter chegado ao vice-campeonato, mas não soube vencer seu rival na despedida do eterno Olímpico. Despedida melancólica, por sinal, com brigas, expulsões e afins.

O São Paulo fez uma campanha regular e volta à Libertadores após alguns anos. Em nenhum momento o Tricolor deu a impressão de que chegaria à luta pelo título, mas sempre se manteve estável ao longo da competição.

O Vasco foi pífio. Terminou em quinto lugar e torce para o São Paulo vencer a Sulamericana para herdar uma vaga na pré-Libertadores. Trata-se de um time envelhecido, tanto nos atletas como na mentalidade. Está na hora de Roberto Dinamite se aposentar e manter seu nome intacto por excelentes serviços prestados ao futebol.

O Corinthians fez uma campanha honesta. Foi campeão da Libertadores, jogou um terço do campeonato com reservas e fez a segunda melhor campanha no returno. Seu lateral esquerdo Fábio Santos tem razão. Fosse o calendário brasileiro algo sério, o Timão poderia ter lutado pelo título em igualdade de condições com o Fluminense. E olha que no começo do torneio, o Corinthians frequentou a lanterna.

Do Botafogo, 7º colocado, à Portuguesa, primeira livre da degola, a situação foi similar. Foram campanhas irregulares e que mereceram apenas vagas na Sulamericana, ou nem isso. Neste grupo, as maiores decepções foram o Santos e o Internacional, equipes fortes nos últimos anos, mas que não se renovaram.

O destaque fica com o Náutico que subiu neste ano, conquistou uma vaga na Sulamericana e muita gente vai pastar lá nos Aflitos e ainda rebaixou seu rival na última rodada. A Portuguesa não chega a ser uma surpresa positiva. Achava que ela cairia, posto que foi rebaixada no Campeonato Paulista. A Lusa não caiu por pouco.

Entre os degolados, o Sport lutou até a última rodada, mas não deu. A equipe acordou muito tarde. Leva a honra de ter caído de pé.

O Palmeiras, time grande novamente rebaixado, fez uma campanha ruim, tem uma diretoria ruim. Após a degola consumada, perdeu as duas partidas e encerrou o torneio melancolicamente. E repito o que já escrevi em outros textos: se não mudar a mente, não volta no ano que vem, o que seria horrível, pois o time comemoraria o centenário longe da elite.

Atlético de Goiás fez uma campanha ruim e caiu há muito tempo. Mas diferente do Palmeiras, mostrou um futebol de qualidade após o peso do rebaixamento. Já se credencia a voltar para a série A de 2014.

O Figueirense, que termina como o lanterna, foi ruim do começo ao fim. Desmontou um bom time que terminou o campeonato do ano passado na sétima posição para ser o pior time deste ano. Culpa de diretoria, empresários etc que vivem em função dos atletas e não dos clubes pelos quais são responsáveis.

O título, enfim, está em boas mãos. E o grande mestre Nelson Rodrigues, no ano de seu centenário, está feliz, sentado ao lado direito do Senhor. Ou não...

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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