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29 de setembro de 2012

Por que o Palmeiras voltará à Série B dez anos depois?

Charge de Mário Alberto do Lance!
por Sylvio Micelli

Faltando pouco mais de dois meses ou doze rodadas para o término do Campeonato Brasileiro 2012, a situação da Sociedade Esportiva Palmeiras permanece crítica e não acredito que o time consiga escapar de novo rebaixamento à série B que, por uma infeliz coincidência, ocorrerá exatamente uma década após a primeira queda, em 2002. Por mais que se demonstre uma tentativa de esforço por parte da diretoria e dos atletas, tudo soa limitado demais, pasteurizado demais, anêmico demais. O "verdão" de outrora dá vez a um verde pálido, quase a sumir no transcorrer dos jogos.

Sou corinthiano. Por um lado, pela grande rivalidade, quero que o Palmeiras caia. Mas sei, por outro, que isso é ruim para o futebol paulista. Por isso, minha análise é sobre a situação do clube em si, sem considerar o fator torcida.

Os motivos para a inevitável queda do Palmeiras são vários e muitos nem são novos. Ei-los:

  • Diretoria fraca e inexperiente

Desde a saída de Affonso Della Monica, o Palmeiras carece de uma diretoria "efetiva". Entenda efetiva como participativa, resolutiva, que tenha visão de futuro, que saiba, enfim, gerir um clube com o nome e história. Neste período assumiu a presidente, Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos maiores economistas do país, mas que não se adaptou à rotina e à dinâmica do futebol. Em seguida assumiu Arnaldo Tirone que se elegeu pelo homônimo de seu pai, diretor do clube entre as décadas de 50 e 70 e que até agora não disse a que veio.

  • Elenco limitado e jogadores "chinelinhos"

Há os que afirmam que o elenco do Palmeiras é forte o que, ao menos em tese, não explicaria um novo rebaixamento. Na verdade o time tem muitos jogadores que, com o devido respeito, não tem condições de vestir a camisa do Palmeiras. Salvam-se Marcos Assunção, Luan, Barcos e Bruno. E olhe lá. Há, ainda, jogadores de renome que não tem atuado conforme o torcedor espera. Valdívia, por exemplo, disputa um campeonato brasileiro de forma pífia, ainda que tenha tido problemas pessoais. Não há envolvimento como podemos observar em outros times que lutam pelo rebaixamento.

  • O engano da conquista da Copa do Brasil

Quando o Palmeiras venceu a competição no meio do ano, todos pensaram que os problemas haviam sido sanados, afinal, o time venceu o campeonato depois de muito tempo e garantiu sua participação na Copa Libertadores de 2013. Ledo engano. O Palmeiras fez um "mini-campeonato paranaense" jogando os mata-matas contra Paraná, Atlético-PR e Coritiba e seu adversário mais difícil foi o Grêmio. No Olímpico em Porto Alegre, o Palmeiras teve a felicidade de marcar dois gols no finalzinho da partida, o que lhe garantiu tremenda vantagem em casa. Na final contra o Coxa, o Palmeiras também abriu boa vantagem fora de casa e segurou um empate no final.

  • O erro de trocar Felipão por Kleina

Se o Palmeiras quer fugir da série B, cometeu um erro estratégico. Trocou um treinador campeão do mundo, com vasta experiência e que deu tranquilidade ao time afirmando que cairia com o Palmeiras se fosse preciso e o trocou por Gilson Kleina, um treinador ainda em ascensão e que é especializado em times... da série B!

  • O time cigano

Tudo bem que o Palmeiras esteja construindo sua nova arena. Mas o clube não definiu qual é a sua "casa" e assim, falta-lhe identidade. Qual é a casa do Palmeiras? Barueri, Pacaembu, Araraquara, Presidente Prudente? Jogar no Interior pode aliviar a pressão dos torcedores da Capital ou trazer mais insatisfeitos aos estádios?

  • Campanhas fracas em 2010 e 2011 e o "cavalo paraguaio" de 2009

O Palmeiras vem "treinando" para cair já faz um tempo. Em 2010, o clube fez 50 pontos e ficou em 10º lugar. Venceu e perdeu 12 vezes e empatou 14. Ano passado, o clube fez... 50 pontos. Venceu 11, empatou 17 e perdeu 10. Ou seja, o Palmeiras tem sido mero espectador das edições passadas do Campeonato Brasileiro. Isso sem falar em 2009, quando o clube liderou o campeonato por dezessete rodadas e no final foi decaindo, decaindo, decaindo e não se classificou nem mesmo para a Libertadores.

  • Poucas rodadas para uma cruel matemática

A matemática e seus números são frios. O Palmeiras faz poucos gols. Tem o segundo pior ataque (25), apenas à frente do Sport (23). O time está há seis pontos, considerando-se os critérios de desempate, de sair da degola. Ou seja: terá de vencer dois jogos e seus adversários diretos não podem nem mesmo empatar para que o clube respire. Pior: o time tem 23 pontos em 26 rodadas e acreditam os matemáticos que com 45 pontos, o time estará livre do rebaixamento. Isso equivale dizer que o Palmeiras terá que dobrar seus pontos, em menos da metade dos jogos que já disputou. Para completar, o Palmeiras rebaixado de 2002 teve aproveitamento de 36% naquela competição. O Palmeiras a ser rebaixado em 2012 tem aproveitamento de 29% no atual campeonato.

O futebol, enfim, pode até ser uma caixinha de surpresas, mas não planeja longos milagres. Por isso tudo, não tenho dúvidas, de que o Palmeiras estará entre os quatro rebaixados do Brasileirão de 2012, no próximo dia 2 de dezembro.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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