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19 de junho de 2012

Maluf e PT: vale tudo pela tal da "governabilidade"?

Lula, Haddad e Maluf: "todos" por São Paulo... - Divulgação

por Sylvio Micelli

A política partidária, há muito tempo, tem dado claras demonstrações de aberrações e alianças políticas ininteligíveis para quem destina o seu voto em prol de um ideal. São monstros criados, híbridos partidários que não se combinam, mas que mesmo assim, sem maiores pudores, são apresentados ao povo para o voto.

Na eleição mais importante do ano até aqui - a francesa - vimos o solicialista François Hollande e o então presidente, Nicolas Sarkozy da União por um Movimento Popular (UMP) a disputar, no segundo turno, os votos de Marine Le Pen, candidata da extrema-direita francesa, algo constrangedor a ambos, se fizermos uma análise sob a ótica ideológica.

Longe de entrar no mérito sobre o (des) governo de Fernando Collor (1990/1992), na condição de presidente da República ele quis, ao menos em tese, governar o país, com o suporte de um pequeno partido e sem a "tutela" do Congresso Nacional. Deu no que deu e aí a tal da "governabilidade" cresceu.

O mais recente lance desse xadrez político é a adesão de Paulo Maluf (PP) à campanha de Fernando Haddad (PT), à prefeitura de São Paulo, uma perfeita aula de que "os fins justificam os meios", como nos ensinou Maquiavel, meio milênio atrás. As fotos de Lula, Haddad e Maluf correram o mundo e, certamente, estarão para sempre registradas na página da política clientelista que visar apenas o Poder e não o Estado.

Maluf é um dos inimigos mais históricos e histéricos do Partido dos Trabalhadores. Quando o PT foi fundado em 1980, era Maluf o governador "biônico" do estado de São Paulo e nesses 32 anos de idas e vindas, as críticas vinham em vasta profusão de ambos os lados.

Numa relação de água e óleo, houve, ao longo dos dias, meses e anos, farpas entre Paulo Maluf, Lula, Luiza Erundina e agora vemos, em nome dessa mesma tal "governabilidade", por alguns segundos a mais de TV, uma aliança impensável dentro do contexto histórico, jogando no lixo mais de três décadas de história.

Erundina, fiel aos seus princípios - os mesmos que a tiraram do PT anos atrás - foi crítica e oficializou sua saída da chapa. Se isso se concretizar efetivamente e Erundina não voltar atrás (e quem a conhece sabe que é praticamente impossível que ela volte), a ex-prefeita terá sido uma das últimas moicanas em caráter e respeitabilidade na política tupiniquim.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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