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3 de maio de 2012

A Liberdade de Imprensa: morta e encarcerada


por Sylvio Micelli

Neste 3 de maio "comemora-se" o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A data, porém, não é passível de comemorações.

Ainda está fresca na memória e na retina de todos nós, mais um assassinato ocorrido há dez dias, quando o companheiro Décio Sá, jornalista maranhense, pagou com a vida por ter o "péssimo" hábito dos jornalistas sérios: falar a verdade, mexer na ferida, balançar as estruturas e colocar as coisas em pratos limpos.

A morte de Sá, infelizmente, não será algo isolado. Como também não foi com Tim Lopes e como também não foi, principalmente, com Vladimir Herzog, mártir da nossa imprensa franca no período da ditadura militar e de seus cadáveres insepultos.

A situação da liberdade de imprensa ao redor do mundo não é das melhores. Segundo a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) há cerca de 150 jornalistas presos pelo "hediondo crime" de exercerem suas funções ao denunciar ditaduras, corrupção e máfias diversas. Isso sem falar na quantidade de mortes que ocorrem todos os anos, aqui ou alhures.

No Brasil é óbvio que a situação melhorou de Vlado para cá, mas seria ingênuo crer que vivemos numa liberdade de imprensa. Temos, quando muito, alguns rasgos de democracia, conquistados a fórceps, diante de um grande oligopólio midiático hegemônico que vivemos no Brasil. Essa batalha diária encontrou na Internet, por meio de blogs e redes sociais, novas plataformas de discussão dos problemas nacionais, na tentativa de equilibrar uma disputa desigual.

Mas velhos problemas permanecem. Nossa categoria sofre com baixos salários, péssimas estruturas de trabalho, carga horária extenuante, falta de respeito aos direitos dos trabalhadores por meio das famigeradas "pejotizações(*)" e mais uma infindável lista de fatores, que transformam essa "tal liberdade" em retórica. Isso ainda sem falarmos no diploma para o exercício profissional do Jornalismo sério, ético e responsável, que foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal, também para atender a demanda dos oligopólios de comunicação.

Resta-nos enfim neste 3 de maio, a esperança de que dias melhores virão, por meio de luta, suor e sacrifício e a imorredoura esperança de que, mais que informar, o jornalista possa formar a opinião das pessoas na busca por uma sociedade justa, igualitária e livre.

N.A.: "Pejotização" é uma aberração contemporânea nas relações de trabalho. Pega-se um jornalista, por exemplo. Ele abre uma empresa como trabalhador intelectual (Lei nº 11.196/2005) e "magicamente" transforma-se no próprio patrão sob a ótica capitalista. Na verdade ele perde todos os direitos trabalhistas fundamentais, tais como férias, 13º salário, FGTS etc.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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