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18 de maio de 2012

José Paulo de Andrade, 70 anos

Reprodução
por Sylvio Micelli

Era uma vez um garoto que ainda não conhecia Beatles ou Rolling Stones. Ele tinha apenas 7 anos e morava no Jaçanã, um bairro no extremo norte da cidade de São Paulo. O garoto que estudava na "Cidade", gíria comum para chamar o Centro para quem morava na periferia, acordava cedo para entrar na escola. Sua mãe sintonizava um velho rádio de pilha e a voz de um homem ecoava pela casa rompendo o silêncio das manhãs. Ele falava insistentemente a hora, de minuto em minuto, como a lembrar aquele garoto de que precisava vestir-se mais rápido para não perder a hora. Tinha também um gato, cujo miado agudo quase rompia os tímpanos daquele menino que almejava ficar apenas mais cinco minutos sob as cobertas.

O ano era 1978. O garoto de 7 anos é este jornalista que vos escreve. O miado do gato e a voz do homem que parecia um relógio mecânico era e permanece sendo a de José Paulo de Andrade e do programa "O Pulo do Gato" da Rádio Bandeirantes de São Paulo que, recentemente, completou 39 anos no ar, sendo um dos mais, senão o mais longevo programa no rádio brasileiro neste gênero, emissora e apresentador.

Coube também a José Paulo de Andrade, ao lado de Salomão Esper e Joelmir Beting, a árdua missão de preencher a lacuna deixada por Vicente Leporace, naquele mesmo 1978, na missão inóspita de colocar o dedo nas feridas que incomodam a todos nós ao longo dos tempos.

Nesta sexta, 18 de maio, José Paulo de Andrade, da "safra" de 1942, completa "seus primeiros" 70 anos, boa parte deles dedicados ao exercício do bom jornalismo, algo tão difícil nos dias de hoje. Zé Paulo conseguiu ter êxito numa seara complicada que é o radiojornalismo típico de prestação de serviços, mas que por sua postura firme e por vezes ácida, transformou-o num porta-voz dos moradores de São Paulo, a "cidade-estado-tentacular" que tanto amamos. Com o advento da Internet, o Brasil e o mundo puderam conhecer sua voz firme, que ainda lê as horas a cada minuto para despertar as novas gerações de ouvintes.

Claro que por vezes discordo de suas opiniões, num embate democrático no campo das ideias. Democracia, por sinal, pela qual ele também lutou ao abrir os microfones para o então sindicalista Luiz Inácio da Silva, naquele mesmo final dos anos 70, quando eu ía para a escola todas as manhãs.

Minha paixão pelo jornalismo fez com que eu seguisse a carreira e que tivesse em José Paulo de Andrade, um modelo de ética e responsabilidade a ser seguido, além do aprendizado diário e divertido com seu comportamento, por vezes ranzinza, com o qual permeia seus comentários.

Obrigado, Zé Paulo! Receba aqui um abraço de um ouvinte que há 34 anos só deseja ficar mais cinco minutos sob as cobertas... Mas a hora, e a aula das crianças, e o trabalho de jornalista e os e-mails não permitem "tamanho" ócio.

E que sua saúde não lhe pregue mais peças para que ainda o tenhamos por longos anos, para que a sociedade possa "saber do que fala, aonde estiver"!

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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