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29 de abril de 2012

Rubens Barrichello: muito obrigado por nada

Sempre amigo, Barrichello abraça Schumacher após o GP da Áustria 2002 - Foto: Bridgestone Motorsport
por Sylvio Micelli

Era para eu ter escrito este texto no final da temporada passada, quando as portas da Fórmula 1 se fecharam para Rubens Barrichello. Aguardei, com prudência, para ver sua performance na Fórmula Indy. Após a corrida de hoje, em São Paulo, sinto-me livre para escrever. Deixo claro ao leitor que não tenho arroubos nacionalistas. Tenho amor e ódio a coisas do meu País e sei apreciar as coisas boas que os outros oferecem. Sei também ser crítico às coisas erradas que ocorrem no Brasil e/ou com os brasileiros, sem tapar o sol com a peneira.

Pessoalmente, nada tenho contra Barrichello. Parece-me ser um bom sujeito, bem apegado à família, torcemos para o mesmo Corinthians, ele deve ter bons papos sobre os bastidores da Fórmula 1 e modelos exuberantes a caminhar pelos paddocks do mundo.

O que pega aí, é a questão profissional. E sob esta ótica, o piloto cometeu alguns erros graves em sua carreira.

1. ele errou, após a morte de Ayrton Senna, em querer substituí-lo, ainda que inconscientemente. Entrou fácil no oba-oba da mídia, que o queria vencendo a cada manhã de domingo. E aí, cada macaco no seu galho. Talvez ele tivesse tido mais sorte e competência, além de menos cobrança, se quisesse ser o Rubens Barrichello, ao invés de ser o novo e/ou o substituto de Senna;

2. ele teve o mais competitivo carro de Fórmula 1 em suas mãos. A mesma Ferrari que deu cinco, dos sete títulos, a Michael Schumacher. Mas Barrichello não se impôs como piloto. Optou por ser mero sparring do alemão. Claro que ganhou um bom dinheiro pela sua subserviência, mas jamais chegou a peitar a equipe ou qualquer concorrente;

3. ele sempre foi muito "reclamão" e cheio de "mimimi" com a imprensa nacional, além de suas explicações quase nunca convincentes para os seus fracassos. Mas era cordato nas pistas e fazia dancinhas no pódio nas oportunidades em que lá esteve. Acabou, enfim, por ser tornar uma caricatura de si mesmo, uma piada pronta como diria o articulista José Simão e jogou, repito, ainda que inconscientemente, a história brasileira vitoriosa no automobilismo – com Fittipaldi, Piquet e Senna – na lata do lixo;

4. o maior motivo de orgulho que ele deu ao País foi sua obstinação ao se tornar o piloto que mais disputou GPs na história da F-1 com 326 corridas, retratando o "autêntico" espírito do brasileiro que não desiste nunca.

A vinda de Barrichello para a Fórmula Indy, enfim, tem o mesmo efeito que um cemitério para elefantes. É possível que ele vença alguma prova e que corra por algum tempo, mas apenas e tão somente para escrever mais uma página em branco em sua pálida história.

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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