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22 de abril de 2012

Minha singela homenagem ao singelo S4N7OS


por Sylvio Micelli


Na semana passada, mais precisamente no dia 14 de abril, o Santos Futebol Clube completou 100 anos. Boa parte da mídia passou a semana enchendo o saco. Relembrou histórias velhas que sempre embutiram uma certa enganação.

Respeito os torcedores, óbvio. Torcedor, qualquer que seja ele, merece o meu respeito e nada tenho contra eles. Mas acho o Santos um time absolutamente comum, que sempre foi engrandecido pela mídia dos anos 60. A mesma mídia que deseja empurrar goela abaixo, o Santos de Neymar como se fosse o novo Santos de Pelé. Ainda bem que depois do passeio do Barcelona no final do Mundial no ano passado, todos baixaram a bola e diminuíram os devaneios.

Respeito o Palmeiras. Respeito o São Paulo. Respeito o Flamengo, Vasco, Cruzeiro... O Santos, não, justamente pela prepotência e arrogância que sempre tiveram.

É um time que distorce os fatos e conta vantagem. É, tão somente, a quarta força do estado de São Paulo, atrás de Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Em nível de Brasil não está nem entre os 10 mais.


Alguns fatos a serem analisados


1. O Santos, fundado em 1912, tem apenas 19 títulos paulistas. É o time que menos ganhou dos chamados grandes do futebol paulista. Dez títulos foram conquistados na era Pelé, entre 1957 e 1974

2. Entre 1912 e 1957, o Santos ganhou apenas três títulos (1935, 1955, 1956). Ou seja, reconhecidamente, era um clube de pequena expressão que rivalizava, verdadeiramente, com seus conterrâneos Portuguesa Santista e Jabaquara

3. A partir de 1957 até a aposentadoria de Pelé em 1974, o Santos teve sim, uma excelente equipe. Devemos ressaltar, porém, que vivíamos uma entressafra no futebol brasileiro. Aposentavam-se os velhos jogadores das seleções de 1954, 58 e 62, para uma nova geração que dispunha de poucos talentos e, mérito do Santos, a grande maioria vinha de lá. Exceção feita ao Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro, o Santos não dispunha de adversários que poderiam enfrentá-lo

4. Os campeonatos "nacionais" disputados entre 1959 até 1970, que recentemente foram unificados pela CBF numa violenta aberração da história, eram curtos, poucos jogos, inferiores ao que vemos hoje na Copa do Brasil. Observem que é inferior à Copa do Brasil. Eram torneios que uniam apenas os campeões estaduais. Imaginemos hoje, um campeonato brasileiro que não tenha Corinthians, Flamengo, Internacional, Grêmio, Vasco etc. Era o que acontecia com a Taça Brasil e com o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Pois são seis campeonatos deste nível, que o Santos acredita serem "nacionais", minimizando competições efetivamente nacionais, cujos principais campeões são Flamengo e São Paulo, com seis títulos e o Corinthians, com cinco

5. É o time que mais marcou gols na história do futebol? Sim. Mas marcou contra quem? Contra dezenas de equipes amadoras ao redor do mundo em diversas excursões que só foram possíveis porque o Santos não tinha adversários e podia viajar o mundo para "vender" o produto nacional. Podemos até discutir se as excursões do Santos não foram um braço político do país, em meio ao turbilhão que todos sabemos que ocorreu nos anos 60

6. Distorce um tabu contra o Corinthians que existiu apenas em campeonatos paulistas e não em todas as competições. Mas esta informação não consta da "história" contada por eles

Sendo assim, é claro que se trata de um clube que fez história, lá nos anos 60 com seus títulos válidos para a época, incluso os Intercontinentais e as Libertadores. Mas não podemos analisar a história sob a ótica das conquistas. Há muito marketing da empulhação.

E depois dizem que o Corinthians é o queridinho da mídia...

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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