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18 de fevereiro de 2012

Já cansei de Carnaval


"Pierrot the clown" by Dogan Gidon
por Sylvio Micelli

Chegamos a mais um tríduo momesco e confesso que estou cansado.

Não, não. Não são os meus 41 anos que chegarão na próxima quarta-feira de Cinzas que me cansam. Sempre tive uma relação boa com o Carnaval. Até porque nasci numa segunda-feira carnavalesca do ano de 1971

Na verdade, o Carnaval me cansou e nem mesmo consigo ligar a TV.

E para ver o que mesmo? Desfiles rigorosamente iguais que os jurados "conseguem ver" 0,1 ou 0,2 ponto de diferença nas notas. Ou blocos que é melhor nem falar. Tem ainda aqueles carnavais típicos regionais... Gente "do ramo" traz comentários pertinentes até demais e idênticos aos anos anteriores. Publicidade e nádegas em profusão, enredos muito cultos ou nem tanto, títulos de enredo que já são uma estrofe inteira e turistas. Milhares deles.

O Carnaval deixou, há muito, de ser uma festa popular. Aquela dos antigos corsos, blocos e cordões ou mesmo do "Bum Bum Paticumbum Prugurundum" imortalizado pela Império Serrano em 1982 que, há exatos 30 anos, já criticava a "Super Escolas de Samba S/A", "escondendo gente bamba".

Falta povo no samba. E não me refiro ao pessoal das comunidades que estão sempre presentes e eu sei o duro que essa gente dá. Também não me refiro às mulatas for export ou aos puxadores de samba que ganham a vida em carreira solo.

Refiro-me ao povo em sua mais completa pureza e origem.

Hoje Carnaval é feito no modelo à distância. A escola passa pela avenida e o povo vê da arquibancada. Tudo muito pasteurizado e tem que correr para cumprir o tempo de desfile.

Por isso pouco verei do Carnaval deste ano. E dos próximos que Deus me permitir.

Já estourei minha cota.

Já frequentei matinês lá no meu querido Jaçanã quando era moleque e o que só importava era tentar tascar um beijo naquela garota, a mais desejada da rua, porque tudo era festa.

Já vi desfile em São Paulo ainda na Avenida Tiradentes. E no Sambódromo do Anhembi, claro. Já vi Carnaval no Rio de Janeiro. E já me isolei nas Minas Gerais, quando nem queria ouvir o soar de um tamborim.

Já cobri desfiles em São Paulo a trabalho. Também já acompanhei os preparos de escolas de samba.

Já conversei com a inesquecível Emilinha Borba e o César de Alencar, ambos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, sobre o carnaval de "ontem" na Praça Onze. E já conversei com o eterno Jamelão na passarela do samba falando das mulatas de sempre e dos "beijos no cangote".

O povo está fora da festa que outrora era para ele...

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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