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17 de agosto de 2010

Sorria, pois um país está em festa! Hoje é aniversário da Mooca, bello!

Brasão pelos 400 anos da Mooca, em 1956
Reprodução
por Sylvio Micelli

A República Federativa dos Estados Unidos da Mooca ou República Independente da Mooca é um estado independente e democrático. Mais que isso: como todos sabemos é um estado de espírito! Trata-se de um “país” encrustado na região centro-sudeste do município de São Paulo.

Neste 17 de agosto, a Mooca completa 454 anos de bons serviços em nome da alegria, da história e da gastronomia.

Este “país”, que a gente daqui tanto ama, conta com cerca de 75 mil habitantes e tem IDH digno de primeiro mundo. Possui um idioma próprio conhecido como português mooquense ou macarrônico, imortalizado pelo seu principal embaixador, Adoniran Barbosa que recentemente completou um século de existência permanente em nossos corações. Não é sotaque, bello! É um idioma, mesmo! Ah! E Mooca sem acento, per favore.

Bandeira pelos 400 anos da Mooca, em 1956
Reprodução
Pelas suas ruas e alamedas arborizadas e ainda repletas de rotatórias, descendentes de italianos fazem questão de parar o tempo e aliar a modernidade à história que seus ancestrais construíram.

Este “país” possui brasão, bandeira, hino e até um clube de futebol. Um jovem “moleque travesso” de 86 anos que já atormentou muito clube grande. O “Monumental” da Rua Javari, conhecido oficialmente como Estádio Conde Rodolfo Crespi, abriga jogos do Clube Atlético Juventus e reúne nas quartas ou sábados à tarde ou nos domingos pela manhã, uma ruidosa torcida a cantar hinos de outra época e a desejar “ódio eterno ao futebol moderno”.

Clube Atlético Juventus
A cada intervalo na Javari não nos esqueçamos de mais um cannoli do “seu” Antônio, uma iguaria doce de origem siciliana que só tem aqui. As discussões futebolíticas do clube que viu nascer Lima, Ataliba e Clóvis passam pelo restaurante do seu Giba, no cruzamento das ruas Visconde de Laguna e Javari.

Mas neste país há muita história de luta. No início do século passado, graças à imigração, o ativismo comunista e anarquista era intenso. A confluência da avenida Paes de Barros, Rua da Mooca, Rua Taquari e Rua do Oratório (aqui pertinho!) era conhecida como Praça Vermelha. Seus moradores também cruzaram o rio Tamanduateí e puderam participar da “Queda da Bastilha” no bairro do Cambuci, ocorrida em 30 de outubro de 1930, com a finalidade de por fim ao tratamento desumano da delegacia da rua Barão de Jaguara, local onde eram confinados sindicalistas e “agitadores”.

A madrugada da Mooca e o inesquecível Toninho do churros
Foto: Tiago Queiroz (Agência Estado)
Aqui, até um grande hipermercado foi erguido mantendo as fachadas originais do Cotonifício Rodolfo Crespi, uma das maiores tecelagens que empregou muitos oriundi que chegavam à Hospedaria dos Imigrantes, atual Memorial do Imigrante.

No quesito gastronomia, a Mooca é especial. Deve ter a maior quantidade de pizzarias por metro quadrado do planeta.
Vista geral do "país" - Foto: PMSP
Há de todas as qualidades para gostos e bolsos. Cantinas, docerias que contam a história do bairro… ops, país… Mas não se vive aqui, apenas da culinária italiana. Quer uma esfiha de extrema qualidade? Aqui tem! Quer uma legítima empanada argentina? Tem também. Padaria ruim, salvo melhor juízo, aqui não entra. E as filas de domingo numa rotisseria de um palmeirense chato, mas que vende saltenhas maravilhosas… O melhor pastel da região? Está aqui aos domingos e é o da Dona Maria. Isso porque ainda nem falei do seu Toninho do churros ou da Festa di San Gennaro… E a Rua Madre de Deus com seus bares uns em cima dos outros… Difícil manter o peso, dentro de um padrão saudável.

A Mooca em 1934 - Reprodução
A Avenida Paes de Barros é a nossa “The Long And Winding Road” a unir casarões históricos e prédios modernos. Uma larga avenida a unir a Mooca à Vila Prudente. Ela é linda, é bela, é chique, um verdadeiro cartão postal.

Igrejas e templos diversos coexistem pacificamente. Afinal, quem mora nesse país sabe que Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, ao descansar, Ele inventou a spaghetti com porpetta e escolheu a Mooca como seu refúgio.

Como diria o mooquense famoso Pasquale Cipro Neto: “enfim, é isso!”

Baccio per tutti!


Hino da Mooca

Letra por José das Neves Eustachio
Melodia por José das Neves Eustachio, Profª Yara do Rosário Botelho Puigvert Mas

Monumento aos 450 anos da Mooca, no principal
cruzamento do "país", formado pela Avenida Paes de
Barros, ruas da Mooca, Oratório e Taquari
Sou da Mooca, sou moquense.
Amo esta região,
Meu bairro muito querido
Estás no meu coração.
Mooca, bairro tradição
Da Zona Leste és portal
Símbolo de uma região,
No trabalho és triunfal.
Teu dinamismo de agora
São heranças bem distantes.
Foste trilha outrora
De valentes bandeirantes.
Tens esportes, tens cultura,
Universidade até.
Os teus templos abrigam
Um povo com muita fé.
Desde o Parque D. Pedro
Tudo em ti é sucesso
Tuas ruas e avenidas
Representam o teu progresso.

Seu Antonio e o inigualável cannoli dos jogos do Juventus
na Rua Javari - Divulgação
Sou da Mooca, sou moquense,
Amo esta região
Meu bairro muito querido
Estás no meu coração.
É bonito o teu brasão
Bela é a tua bandeira
Nas festas de nosso povo
Tremula sempre altaneira.
Teu poema é história
Deste bairro hospitaleiro
Nascido à margem de um rio
Deste solo brasileiro.
Mooca em tupi quer dizer
Nossa casa, nosso abrigo,
No trabalho e no lazer
O moquense é muito amigo.
És valente, meu torrão.
Toca, meu bairro, toca
O canto com emoção.
Mooca, Mooca, Mooca

P.S.: Há um ano saí da Mooca. Mas a Mooca nunca saiu de mim...

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Os textos são de autoria do Jornalista Sylvio Micelli. Publicação autorizada com a citação da fonte. Tecnologia do Blogger.

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